Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças


Um poema de Alexander Pope é a fonte do título de "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", filme norte-americano, de 2004, dirigido por Michel Gondry e com roteiro de Charlie Kaufman. É uma comédia romântica conduzida por uma trama de ficção científica bem interessante, com uma pegada bem melancólica. Kate Winslet interpreta Clementine, uma garota meio louca, impulsiva e de cabelos multi-cromáticos. Não aguentando mais os problemas amorosos com o seu parceiro Joel (Jim Carrey), resolve procurar uma empresa, bem futurista diga-se de passagem, que apaga de sua mente as memórias indesejáveis.

Joel se vê desesperado quando sua parceira não se lembra nem mais quem ele é, até que decide passar pelo processo também. Ao longo do procedimento de esquecimento artificial que Joel se submete, nem tudo dá tão certo, e o personagem de Jim Carrey passa a fazer o possível (e impossível) para manter mesmo que apenas uma memória de sua amada em seu cérebro. Estes momentos são os mais surreais da história e transformam o filme em uma produção inovadora e de estética bastante experimental. O roteiro é fantástico, vencedor do Oscar de 2005. É um filme que trata do esquecimento, da conservação das boas memórias e do desejo ingênuo de apagar de nossa mente aquilo que não nos convém. Contrariando Nietzsche, "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" nos faz acreditar que não são tão abençoados assim os que esquecem.

* Este texto foi revisado e reescrito em 8 de novembro de 2018.


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