A Rede Social
No dia 4 de Fevereiro de 2004 (alguns dias após um engenheiro turco da Google criar o Orkut), o universitário Mark Zuckerberg lançou uma das maiores ferramentas de entretenimento e comunicação do mundo: o Facebook. Com apenas 20 anos de idade, o ex-estudante de Harvard (com um talento ímpar para programação) dava os primeiros passos para se tornar o bilionário mais novo do mundo, sendo que atualmente sua fortuna é avaliada em aproximadamente 35 bilhões de dólares...pouca coisa, não?
Esta história é contada no mais recente filme de David Fincher (diretor americano responsável pelo excelente "O curioso caso de Benjamin Button"). Sem aspectos de filmes de documentário e sem os clichês dos filmes "baseados em fatos reais", "A Rede Social" é ótimo, o cineasta acertou em cheio e merece reconhecimento. Como o próprio cartaz do filme afirma, é impossível ganhar uma infinidade de amigos de uma hora pra outra em um site de relacionamentos sem conquistar também algumas inimizades, principalmente no âmbito processual. A verdade é que quando Mark criou o Facebook, estava envolvido na produção de um outro site de relacionamentos, com um círculo mais restrito, voltado apenas para os estudantes de Harvard interessados em namoro. Quando o Facebook estoura, Mark se vê processado pelos colegas que encomendaram o site, afirmando que a ideia havia sido deles, e não do bilionário em potencial. (complicado, não? Sim, o filme é confuso às vezes.)
Demorou um tempinho até que eu entendesse que na realidade o filme se desenrola simultaneamente com os dois processos judiciais que Mark responde. O primeiro destes processos é contra o seu ex-sócio e melhor amigo Eduardo Saverin (sim, o nome não engana, ele nasceu no Brasil), que se vê deixado de lado na empresa e tem sua participação no capital diluída sem justa causa. O segundo é contra os atletas gêmeos Cameron Winklevoss e Tyler Winklevoss, que encomendaram um site nos moldes do Facebook para o garoto Mark e desejam dele uma indenização, por terem tido a idéia "protótipo" do atual maior site de relacionamentos do mundo.
Com o passar do filme você se envolve na história de Mark e seus amigos co-fundadores, desde o início conturbado nas instalações de Harvard, passando por um escritório improvisado no Vale do Silício, até chegar à atual sede da Facebook, em Palo Alto, Califórnia. Toda esta saga rumo ao "bilionarismo" é regada de sexo, cerveja, ostentação e uma amizade não muito confiável com nada mais nada menos que Sean Parker (fundador do Napster), que dá um toque sutil para Mark : "o nome The Face Book não fica legal, troque para Facebook" - é uma pena que personalidade tão importante no mundo da internet (Sean popularizou o formato MP3) seja interpretada pelo ex-'N Sync Justin Timberlake, que deixa bastante a desejar como ator.
Enfim, "A Rede Social" tem tudo para ser considerado um bom filme: a trilha sonora é envolvente, a atuação de Jesse Eisenberg (ator que interpreta Mark) é ótima, a fotografia não deixa a desejar, o roteiro é inteligente e a direção é peculiar de David Fincher. Não tenho medo de afirmar que este filme receberá algumas indicações ao Oscar, de roteiro adaptado ou até melhor filme. A grande questão é que o filme, mesmo que indiretamente, acaba fazendo um grande merchan para o site de relacionamentos americano, o que me leva a crer que a produção deve ter sido tão rica quanto o próprio Facebook. Em tempos que películas com baixo orçamento levam o Oscar de melhor filme (Guerra ao Terror), resta esperar para saber se Mark Zuckerberg já ganhou tudo na vida ou se uma estatueta para Fincher engrandecerá ainda mais o currículo do jovem ex-estudante de Harvard.



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