2001: Uma Odisséia no Espaço



Ao som de "Assim falou Zaratustra" (música imortalizada pela chegada do homem à lua), acompanhamos, nos primeiros minutos de "2001" uma reprodução belíssima da teoria evolucionista, já na fase do surgimento dos macacos e das ferramentas. Os primatas são interpretados por humanos, muito bem maquiados e fantasiados, e discutem ferozmente com outro bando, em uma disputa territorial. Um espírito macaco-inventivo tem a brilhante ideia de usar um pedaço de osso como ferramenta, e presenciamos este importante avanço na história da humanidade, seguido de um corte fantástico para um progresso ainda maior: a exploração espacial, representada pelo movimento de um satélite. Novamente, Stanley Kubrick recorre a Strauss, desta vez com "Danúbio azul" e em um espetáculo de direção temos de fato a impressão de que os objetos espaciais valsam no infinito. Depois de mais de 20 minutos de imagens temos o primeiro diálogo do filme. A história finalmente aponta para a ficção científica a partir de então. Em 1968, as imagens dos satélites e da estação espacial já seriam suficientes para convencer o público de que há um tema futurístico em questão, mas precisei ouvir a frase: "estou indo resolver um problema na Lua", para entender que o 2001 que Kubrick previu está um pouquinho adiante da realidade que vivemos em 2011.

Parece estranho dizer isso, mas o roteiro de "Uma Odisséia no Espaço" é excelente até o momento em que há diálogos. Depois de acompanharmos uma descoberta na Lua e partirmos para uma viagem rumo à Júpiter, surgem as imagens oníricas, as mensagens surreais e a história inconclusiva (pelo menos para mim), que parecem exigir do espectador uma abstração que não combina nem um pouco com o entretenimento que esperava para o filme. Fraquezas à parte, o maior mérito do diretor Stanley Kubrick foi inovar completamente o cinema que havia sido visto até o ano de 1968. Havia muito progresso no ramo dos efeitos especiais até aquele período, mas "2001" foi um divisor de águas. Era preciso muita coragem para filmar o espaço, naves, extra-terrestres e planetas sem que o visual aparentasse uma experiência trash. A Academia não perdoou as viagens surreais de Kubrick e não deu nenhum prêmio principal ao diretor, embora tenha reconhecido os efeitos especiais. A verdade é que o diretor nunca se preocupou muito com isso..."2001" é um filme que vale a pena ser revisto e rediscutido aqui no blog.

(Este texto foi revisado em 5 de julho de 2019)

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