Amnésia
"Amnésia", de 2000, é um dos filmes mais originais que já assisti, dirigido pelo competente Christopher Nolan, com roteiro baseado em um conto escrito por seu irmão, Jonathan. O diretor do bem sucedido "O Cavaleiro das Trevas" (2008) adaptou a história original e dirigiu com maestria este filme noir do início da década passada, que narra uma história comum, mas de uma forma incrivelmente peculiar. Lembro que a primeira vez que assisti à "Amnésia" foi a partir da recomendação de uma balconista da minha locadora favorita, que disse que tinha um filme "de trás para a frente" para me indicar. Bons tempos.
Um homem testemunha o estupro seguido de morte de sua esposa, passando a adotar como objetivo de vida encontrar o assassino e se vingar. Parece um roteiro comum de filme da "Tela Quente", mas o o protagonista (Leonard) tem um tipo raro de amnésia (que de fato existe na literatura médica) e não consegue se lembrar de nada que acontece no seu dia a dia, desde que traumatizou a sua cabeça ao tentar em vão salvar a sua esposa. O personagem só consegue manter em sua mente fatos que se desenvolveram em aproximadamente um dia, e quando acorda na manhã seguinte já não se lembra de nada. Para que consiga acumular o conhecimento que adquire na busca ao assassino, Leonard faz anotações em papéis e reforça sua memória visual tirando fotos instantâneas de pessoas que conhece, lugares que visitou e de seu próprio carro. Além disso, ele tatua em seu corpo as informações mais importantes que descobre sobre o crime, transformando o seu corpo em um amontoado de escritos ao contrário, para que possam ser lidos em frente a um espelho. Interessante, não é?
De forma bem criativa, Nolan preferiu dividir a história em blocos e apresentá-los do fim para o começo, buscando despertar no espectador a sensação de impotência que o próprio protagonista vive, uma vez que só entendemos plenamente que estamos assistindo na cena seguinte. Esta forma de montar o filme exige de nós um certo esforço de memória e concentração, o que torna a experiência de assistir "Amnésia" um tanto quanto frustrante se perder a sua atenção em algum momento. Nolan acertou em quase tudo. Escolheu bem o elenco, o seu diretor de fotografia e editor. Eu diria que há alguns pequenos pontos soltos na história, mas isso é assunto pra outro momento, porque revi o filme muitas e muitas vezes. A surpresa do desfecho é uma cereja no bolo e existe um sério risco de que o espectador possa terminar de assistir a "Amnésia" com uma necessidade insuportável de começar o filme novamente. Se eu tivesse que elaborar uma lista dos meus filmes preferidos, tenho que certeza que "Amnésia" estaria lá.
* Este texto foi revisado e reescrito em 13 de dezembro de 2018.
* Este texto foi revisado e reescrito em 13 de dezembro de 2018.



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