Persépolis
"Persepólis", uma inteligente produção de 2007 sobre a Revolução Iraniana e os seus efeitos nos cidadãos que a testemunharam. Para entender os momentos iniciais do filme, é preciso um pouco de conhecimento sobre o processo político ocorrido no Irã em 1979. O que houve no país foi uma revolta que retirou do poder o Xá Reza Pahlevi, marionete dos países ocidentais (leia EUA e Inglaterra). O problema é que o golpe não foi bem uma vitória do proletariado, já que um pouco depois a revolução passou para a segunda fase: a chegada dos aiatolás ao poder e a perseguição aos "camaradas".
Em "Persépolis", acompanhamos a vida de uma família liberal insatisfeita com a opressão do governo iraniano. Embora, o sentimento inicial seja de apoio à derrubada do Xá, logo vem a decepção com o fundamentalismo do novo regime. A jovem Marjane é aquela filha que eu pediria a Deus: subversiva, simpática ao comunismo, visual punk e fã de Iron Maiden! Brincadeiras a parte, a menina é mesmo legal. Seu gênio é rebelde e logo sua família passa a perceber que sua permanência no Irã seria um problema. A jovem de 14 anos vai para a Europa viver com conhecidos e a partir daí vemos sua transformação naquilo que chamamos de bicho-grilo. Seus amigos são bem alternativos, amantes de maconha, hippies, filósofos...e por aí vai... tudo é novidade no mundo ocidental tão livre, mas tão distante dos seus pais e a avó. Depois de uma jornada difícil na Áustria, Marjane volta ao Irã e vê um país não muito diferente do que deixou anos atrás, mas que nunca enxergou com os olhos inocentes de criança. O choque é inevitável.
Poucos filmes mostram de maneira tão original e clara o eterno conflito entre o pensamento ocidental e oriental. Será que é mesmo justo obrigar o uso da burca? Será que vale a pena expressar a opinião ao invés de ficar calado? E lutar por um país tão injusto, a ponto de perder a vida? Marjane muitas vezes prova que sim, a rebeldia vale a pena. Mas e quanto àquela mulher que morreu com um tiro no peito na frente de seu pai, lembram disso? Talvez o melhor fosse desertar e desistir de brigar pela pátria, dominada a tantos anos por uma elite injusta e fundamentalista... Creio, logo duvido. Só pra terminar, vale a pena explicar o título do filme. "Persépolis" é uma alusão à antiga capital do Império Persa, localizado onde hoje fica o Irã. Acredito que seja uma ironia ao caráter imperial do governo iraniano, quase tão ditatorial quanto aquele Rei Xerxes, o que achava que era Deus. Bom filme!



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