Taxi Driver


Integrante de uma seleta lista de filmes norte-americanos vencedores do Festival de Cannes, "Taxi Driver", de 1976, é um fenômeno visual marcante e poucas vezes visto nos cinemas. A maior obra de Scorsese é um jogo de imagens e interpretações que mergulha fundo no drama psicológico dos personagens, principalmente do protagonista, típica figura de uma camada pobre, mas que sobrevive, na flexível hierarquia social dos EUA. Tudo na trama tem origem na má sucedida tentativa de uma aproximação amorosa entre Travis e uma bela garota envolvida no jogo político de Nova York. O taxista poético, mas sem jeito, a leva para uma sessão pornô e vê o seu flerte fracassado. É interessante que algo tão banal, mas que somado à insatisfação pelo trabalho no táxi, é a fagulha para um lento processo de depressão e decadência moral do motorista brilhantemente interpretado por De Niro.

Bom, se a vida não dá certo e se você é solitário, uma ótima saída é comprar armas e procurar prostitutas. De preferência uma Magnum.44. É visível que, ao lado da aversão que o protagonista sente pelo submundo de Nova York, está a vontade de fazer parte dele, e, convenhamos, a passagem para o mundo do crime nunca foi cara, pelo menos em um primeiro momento. Embalado pela trilha bem jazz composta por Bernard Herrmann e pela narração fraca e sussurrante de Travis, "Taxi Driver" caminha para cenas finais ainda mais interessantes do que os melhores momentos do início do filme. É um "curto épico" sobre a ascensão (ou quem sabe queda) de um homem comum, com um emprego comum, mas que anseia pela mudança, pela rebeldia e que, ironicamente, se torna um anti-herói americano.

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