O dia que durou 21 anos
Assisti outro dia na TV Brasil, meio sonolento, um documentário sobre a ditadura militar no Brasil. Como eu tinha acabado de sair de um daqueles sonos vespertinos cansativos, não dei muita bola pra o que estava sendo falado, até que percebi que o foco do programa era a participação dos EUA no golpe de 64, e isto me chamou a atenção. Não que eu seja entusiasta dos ianques, muito pelo contrário, mas é que foi sempre muito discutida a intervenção imperialista nos assuntos políticos do Brasil no período que antecedeu a ditadura militar. Terminei de ver a primeira parte do documentário (que é dividido em três) e acabei baixando o resto em um blog que achei no Google - as outras duas partes são de pouca duração e ótimas.
O programa me agradou muito, principalmente por apresentar material inédito e raro sobre a atuação do embaixador norte-americano Lincoln Gordon (que o inferno o tenha), sujeito manipulador e uma das figuras mais influentes na política reacionária brasileira durante o governo de Jango. Falando em Jango, o documentário passa uma visão de como o Brasil do início da década de 60 caminhou para reformas sociais e avanços significativos na reforma agrária, ao mesmo tempo que crescia a instabilidade e o temor por parte da direita de uma revolução comunista, nos moldes de Cuba. Fica claro para nós o quanto este temor foi irracional e em alguns momentos até mesmo infantil, ou, quem sabe, mera paranóia do embaixador Gordon. O fato é que o golpe político veio, e o golpe dentro do golpe também (uma confusão tipicamente nacional) - não sem a interferência de generais norte-americanos - agentes da CIA e o próprio Presidente Johnson.
A cidade de Juiz de Fora está lá, não apenas nas imagens e nos documentos oficiais assinados pelos EUA, mas também lamentavelmente por ter sido o ponto de partida da revolução, sob a figura do General Mourão Filho, um lunático. Vale a pena conferir os comentários dissimulados do ex-assessor de Gordon e os depoimentos bem lúcidos de Plínio Arruda, uma espécie de suporte de Brizola e João Goulart no processo de reforma agrária. Recomendo o documentário, material de suma importância para que nos lembremos da triste violação de garantias e direitos fundamentais ocorrida no nosso país durante longos 21 anos.
O programa me agradou muito, principalmente por apresentar material inédito e raro sobre a atuação do embaixador norte-americano Lincoln Gordon (que o inferno o tenha), sujeito manipulador e uma das figuras mais influentes na política reacionária brasileira durante o governo de Jango. Falando em Jango, o documentário passa uma visão de como o Brasil do início da década de 60 caminhou para reformas sociais e avanços significativos na reforma agrária, ao mesmo tempo que crescia a instabilidade e o temor por parte da direita de uma revolução comunista, nos moldes de Cuba. Fica claro para nós o quanto este temor foi irracional e em alguns momentos até mesmo infantil, ou, quem sabe, mera paranóia do embaixador Gordon. O fato é que o golpe político veio, e o golpe dentro do golpe também (uma confusão tipicamente nacional) - não sem a interferência de generais norte-americanos - agentes da CIA e o próprio Presidente Johnson.
A cidade de Juiz de Fora está lá, não apenas nas imagens e nos documentos oficiais assinados pelos EUA, mas também lamentavelmente por ter sido o ponto de partida da revolução, sob a figura do General Mourão Filho, um lunático. Vale a pena conferir os comentários dissimulados do ex-assessor de Gordon e os depoimentos bem lúcidos de Plínio Arruda, uma espécie de suporte de Brizola e João Goulart no processo de reforma agrária. Recomendo o documentário, material de suma importância para que nos lembremos da triste violação de garantias e direitos fundamentais ocorrida no nosso país durante longos 21 anos.



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