O Vencedor


Demorei muito tempo até assistir ao filme "O Vencedor", de 2010, que fez sucesso no Oscar desse ano não só como indicado a melhor filme, mas também por ter vencido nas categorias de ator e atriz coadjuvantes. O motivo da demora foi que o filme nem sequer estreou nos cinemas de Juiz de Fora, e daí precisei reservá-lo na locadora para conseguir alugar o DVD. O filme é bom? Na verdade "O Vencedor" tem todos os clichês de um filme de boxe: protagonista fracassado, com problemas familiares, perde várias lutas, treina pesado, vive dramas pessoais, mas no fim o cara dá a volta por cima e ganha o título mundial. Tudo isto seria mais uma chata continuação de "Rocky" se não fosse o fato de que a história contada é real, e, não só isso é interessante, mas a atuação de Christian Bale (que não é o vencedor do título) coloca o filme em um patamar superior até mesmo a uma produção da mesma fórmula que gosto muito - "Menina de Ouro".

Christian Bale representa Dicky Eklund, uma espécie de lenda local do boxe em sua cidade, que ganhou fama por ter derrubado em uma luta aquele que pode ser dito como um dos maiores boxeadores da história: Sugar Ray. O problema é que Dicky não aproveitou sua carreira da melhor forma e acabou seguindo o caminho das drogas e do crime. Enquanto a HBO faz um comentário sobre o ex-lutador, Dicky treina seu irmão, Micky Ward (interpretado por Mark Wahlberg)  para que este se torne aquilo que ele não foi. No entanto, o personagem de Bale é relapso com o irmão, faltando diversos treinos e lhe arranjando lutas erradas, o que faz com que Micky siga outros caminhos, influenciado pela namorada linha dura. Os diálogos marcantes e encorajadores não são tão marcantes assim, e o filme caminha em um constante realismo da vida de um boxeador desestimulado pelo núcleo familiar conturbado e pelo vício de seu treinador, que sem dúvidas seria o melhor suporte no caminho para o título mundial.

Não é estragar o filme contar que o verdadeiro Dicky Ward tem sua consagração ao conquistar o cinturão de seu peso em Londres, após uma boa cena de luta filmada em um formato que lhe dá o aspecto de programação da ESPN. O que mais me agradou em "O Vencedor" foi ver Christian Bale atuando de forma tão sensacional como um treinador viciado, cheio de cacoetes e manias. Bale se consagrou e venceu a estatueta de melhor ator coadjuvante, talvez o prêmio mais merecido do Oscar 2011. Quem diria que um filme de boxe, com os merchans clássicos da Everlast e final feliz pode inovar? Basta escolher bem o elenco!

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