A Viagem de Chihiro


Um dos mais notáveis filmes de Hayao Miyazaki, "A Viagem de Chihiro" é sem dúvidas uma grande animação. Só de poder estampar em sua capa o título de vencedora do Urso de Ouro do Festival de Berlim (que premiou filmes como "Doze Homens e uma Sentença" e "Central do Brasil"), a obra já ganha o status de um desenho animado não exatamente infantil, embora também não perca o seu sentido se assistido por crianças. Na história, a garotinha Chihiro é nada mais nada menos do que uma Alice oriental. O país das maravilhas do filme é uma terra onde vivem espíritos exóticos e seres não-humanos bastante diferentes. As "rainhas" boas e más também estão lá, mesmo que sem uma definição clara do estereótipo de vilão que os estúdios Disney (que produziram este filme) propagaram por tanto tempo e ainda insistem em trabalhar nas suas animações mais recentes.

O filme é como um grito de liberdade dado por Miyazaki, que nunca se prendeu aos padrões ocidentais e nem precisou de recorrer aos clichês típicos do cinema comercial para que seus trabalhos fizessem sucesso, o que aliás não é problema para o diretor, que deixa qualquer produção hollywoodiana para trás nas bilheterias japonesas. Enquanto busca o caminho de volta para casa, no estilo "O Mágico de Oz", já que, diferente de Alice, Chihiro está convencida de que não está sonhando, a garota passa por situações inusitadas e absolutamente originais, já que dificilmente vamos ver novamente espíritos tão esquisitos e uma casa de banho como cenário principal em uma animação. Com os pais transformados em porcos, não é difícil que a garota desanime, mas é uma certa amizade e paixão por um garoto que vive naquele mundo - em uma situação supostamente parecida com a dela - que faz com que Chihiro, sempre ajudada por um espírito sem face, crie coragem e desafie a vilã Yubaba, misteriosa e cômica. Não deixem de assistir a este brilhante filme, espetáculo de visual onírico jamais visto em animações!

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