Shake Hands With The Devil
Este post na verdade não é um post comum. Prometi ao amigo Gilsão que ia colocar hoje no blog minha crítica sobre um documentário exibido pelo nosso professor de Ética faz um tempo atrás. Cheguei até a esboçar esta postagem mas desisti pelo pouco conteúdo que teria, já que o filme envolve uma questão um pouco complicada e eu não me sentia à vontade para comentar. Como amanhã temos que entregar um relatório de aulas e há o boato de que um pequeno texto com a impressão pessoal sobre o filme deve ser anexado, resolvi colocar o meu a disposição para quem se interessar. "Shake Hands With The Devil" é um documentário canadense que basicamente nos mostra o retorno do general Roméo Dallaire a Ruanda, o país onde chefiou uma das mais controversas missões de paz da ONU, na década de 90. Logo no início do filme, o general aposentado chega de helicóptero ao país africano palco de um dos maiores genocídios do século XX. É impossível não perceber um certo trauma em Roméo quando o homem olha através da janela e teme encontrar Ruanda da maneira como deixou o país em 1994. Aos poucos, começamos a perceber o motivo do terror inicial de Dallaire com o seu retorno. Quando a ONU foi acionada para intervir no crescente confronto ideológico e político entre as tribos "tutsis" e "hutus", o general canadense foi nomeado como o líder da força de paz. No entanto, o que se percebe é que o lema das nações unidas naquele período já era o famoso "manda quem pode, obedece quem tem juízo" e Dallaire se vê em uma situação de pouca liberdade de ação e comando limitado, sendo obrigado a conviver com ataques de ruandeses e inclusive a morte de membros da própria equipe, tudo isto por não poder agir quando deveria. Fica claro para nós espectadores que talvez a maior frustração de Roméo não é exatamente ter presenciado um genocídio de tão perto, mas sim de não ter tido a ousadia de desafiar ordens superiores e, quem sabe, ter evitado um número tão grande de mortos. É fácil pensar, sob o ponto de vista de "meros mortais", que ordens da ONU poderiam ter sido contestadas, mas Dallaire viveu na pele o drama do jogo político que faz a polêmica comunidade internacional. No filme, o chefe da operação se mostra ainda visivelmente abalado com o sentimento de culpa por sua suposta omissão diante do caso, o que inclusive o levou a tentar suicídio por mais de uma vez e se envolver com remédios controlados e bebida alcoólica. Como o professor Campolina argumenta, "De mãos dadas com o Diabo" - uma das traduções do nome do filme - tem como principal mensagem o claro fator condicionante das más atitudes da comunidade internacional no resultado catastrófico do genocídio de Ruanda. Dallaire, em um trecho do documentário em que discursa em Ruanda, afirma que certa vez superiores afirmaram que o genocídio não deveria ser levado a sério, já que o povo ruandês era negro e numeroso. Embora a explicação para o título não seja exatamente esta, parece que entendi exatamente qual é o diabo que deu as mãos ao general Roméo nesta lamentável missão de "paz".



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