Veludo Azul
Outro dia vi pra vender na Saraiva um daqueles famosos guias cinematográficos que precisam te lembrar que você vai morrer um dia. O nome era "100 filmes Cult para ver antes de morrer". O mais curioso é que a capa do livro era uma cena do filme "Veludo Azul", umas das obras mais notáveis de David Lynch. Talvez o filme seja mesmo o maior ícone do cinema "cult", conjunto de filmes marcados pelos temas obscuros, ambientados em submundos, com situações nonsense e personagens bem característicos, mas certamente não é o meu preferido do gênero. A história em si é bem simples, o personagem de Kyle Maclachlan (segunda das várias parcerias do ator com Lynch) é um jovem que precisa deixar a universidade para ficar ao lado de seu pai enfermo. Numa de suas andanças pela pequena cidade, Jeffrey encontra uma orelha humana e imediatamente informa a polícia local sobre o ocorrido. O problema é que o jovem tem o instinto investigativo (que mais tarde Kyle exerceria em "Twin Peaks") e resolve descobrir por conta própria quem é o responsável pelas atrocidades que supostamente estariam acontecendo.
Acompanhado de sua parceira, que por acaso é a filha do policial responsável pelo caso, Jeff se infiltra no apartamento da principal suspeita (Dorothy Vallens, uma cantora de cabaré) e aí temos o clímax do suspense de todo o filme. O mistério e o clima obscuro é mesclado com um erotismo não exatamente sutil, mas artístico e que, acredite, incomoda. A cor do roupão de Dorothy tem relevância na trama e sua relação de sadismo com o vilão bizarro (que respira a la Darth Vader em uma máscara de oxigênio) é surreal e perturbadora. Se em "Twin Peaks" as viagens oníricas de Lynch são fundamentais para a compreensão da história principal, em "Veludo Azul" isso não parece acontecer. As loucuras que vemos na tela parecem ser apenas uma marca do diretor, uma necessidade de impor o seu estilo, o que pode dar certo ou errado, dependendo do ponto de vista do espectador. A mim não agradou tanto.
Acompanhado de sua parceira, que por acaso é a filha do policial responsável pelo caso, Jeff se infiltra no apartamento da principal suspeita (Dorothy Vallens, uma cantora de cabaré) e aí temos o clímax do suspense de todo o filme. O mistério e o clima obscuro é mesclado com um erotismo não exatamente sutil, mas artístico e que, acredite, incomoda. A cor do roupão de Dorothy tem relevância na trama e sua relação de sadismo com o vilão bizarro (que respira a la Darth Vader em uma máscara de oxigênio) é surreal e perturbadora. Se em "Twin Peaks" as viagens oníricas de Lynch são fundamentais para a compreensão da história principal, em "Veludo Azul" isso não parece acontecer. As loucuras que vemos na tela parecem ser apenas uma marca do diretor, uma necessidade de impor o seu estilo, o que pode dar certo ou errado, dependendo do ponto de vista do espectador. A mim não agradou tanto.
O mais interessante do filme é aquilo que ele possui de metafórico. Jeff é um jovem comum, de boa índole, atencioso com os pais, estudioso e trabalhador. Por um momento o que parece é que o universitário irá se estabelecer na cidade e quem sabe arranjar uma namorada, mas seu interesse no crime figura como o seu ponto fraco. Dentro do apartamento de Dolores, Jeff parece descobrir um "eu" diferente, pervertido e fissurado pelo voyeurismo, capaz de atitudes não muito ortodoxas e independentes da "namorada" que o ajuda na resolução do mistério. Lynch brinca com o desfecho (calma, não vou contar) e conclui o filme que é uma espécie de protótipo do que faria a seguir: mistério e surrealismo se misturariam novamente na sua obra-prima "Twin Peaks".



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