O Rei Leão
Se existe uma animação que você deve assistir antes de morrer, ela é sem dúvidas "O Rei Leão". Mesmo considerando que a Disney já produziu obras de arte como "Pinóquio", "Branca de Neve" e "A Bela e a Fera", não existe nada como sua principal animação da década de 90, criada quando eu tinha apenas 2 anos, mas que foi o filme da minha infância e com certeza de toda minha geração. Foi com muita nostalgia que assisti "O Rei Leão" no cinema neste fim de semana, em um relançamento voltado para a tecnologia 3D (que foi belamente utilizada) e que empolgou todos os espectadores, desde as crianças que nunca tinham ouvido falar em Simba e sua turma até aqueles chatos que fizeram questão de cantar em voz alta todos os clássicos da animação - dá pra perdoar!
A história de Simba, filho de Mufasa, não escapa de uma peça teatral de Shakespeare. Se pensarmos em Hamlet, por exemplo, a história da Disney possui poucas diferenças com o drama do príncipe dinamarquês. Longe do país escandinavo, as tramas de assassinato e traição se passam na savana africana, onde o reino animal é controlado pelos leões, criaturas austeras mas caridosas, que vivem em perfeita harmonia com quase todos os outros seres que habitam aquele lugar, e que, logo no início do filme, de forma bem heterogênea peregrinam ao som de um cântico nativo rumo ao batizado de Simba. O problema é que o clima de paz não dura muito naquele reino, já que Scar (irmão de Mufasa, o Rei) anseia pelo trono e pelo poder, chegando ao ponto de tramar a morte do próprio irmão e de seu pequeno filho, tudo isso auxiliado por hienas hilárias que marcham e cantam para seu líder, como um exército nazi-fascista.
Depois que você chora (se for sentimental com animações) ou então fica abalado com algumas crueldades que se passam na história, o humor logo toma conta com as figuras de Timão e Pumba, uma dupla improvável formada por um Suricato e um Javali, amigos verdadeiros e que compartilham com Simba o fato de terem sido desprezados em algum momento da vida - palavra deles mesmos! O leãozinho triste logo cresce e adquire os modos dos novos amigos, tudo isto embalado pelas canções malucas e a filosofia Hatuna Matata (no Brasil é Hatuna, com T!) - que significa "Não se preocupe!". A história muda de rumo quando Simba retorna de seu exílio forçado e reencontra seu antigo reino, resolvendo assim reclamar pelo trono, que lhe é de direito. Não preciso contar como tudo acaba, mas entenda que filmes da Disney sempre caem no final feliz, já que não interessa aos estúdios fazer crianças saírem do cinema deprimidas e abaladas, até porquê um dos grandes temas de "O Rei Leão" é a possibilidade de encarar a morte e saber dar a volta por cima, não sem a ajuda dos amigos ou de um grande amor.
As canções compostas por Elton John (que ficaram ótimas no português), os personagens bem caricatos e a eterna cena inicial de um sol bem laranja nascendo nas savanas, ao som de uma música africana, marcaram o imaginário do público da década de 90. "O Rei Leão" criou um novo padrão de cinema infantil à medida que não trabalhou apenas com o entretenimento, mas com o emocional de quem assiste. Não nego que a cena final de "Pinóquio" ou a triste figura da Fera não nos tenha comovido, mas a verdade é que o filme trouxe um ideal de excelência que somente o cinema de animação europeu e poucos desenhos americanos conseguiram imitar posteriormente (falo de "Toy Story" e "Procurando Nemo"). A esperança que fica é que o cinema retorne aos tempos em que apenas uma canção inicial ou uma cena marcante já eram necessárias para valer o ingresso e carimbar uma animação como um dos melhores filmes já realizados.


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