Blow-Up


Ao tentar fazer uma sinopse bem simples do filme "Blow-Up", de Michelangelo Antonioni, eu poderia dizer que trata-se de um thriller muito bem escrito, sobre um fotógrafo irreverente que, em uma de suas andanças por um parque, descobre o que parece ser um caso de assassinato. Ao revelar suas fotos, vai encontrando cada vez mais vestígios de um crime, sendo inclusive procurado insistentemente por uma das principais suspeitas, que reclama pelo direito de sua imagem nos negativos. O grande diferencial deste autêntico filme de arte europeu é que o foco não encontra-se nos mistérios, mas sim na maneira como ele é apresentado, um verdadeiro pano de fundo diante da crítica da sociedade elitista inglesa da década de 60. Quase não há uma mulher no filme que não represente a típica figura alienada com a moda e a fama, diante de um mundo cada vez mais caótico e confuso. Mundo este brilhantemente representando nos devaneios do próprio fotógrafo protagonista em sua busca pela "verdade" cada vez mais distante acerca do crime supostamente ocorrido.

E é nessa dúvida que o filme atinge o seu ponto alto. O fotógrafo Thomas realmente viu algo no parque ou é tudo parte de uma criatividade aguçada, característica da sua personalidade? Qual foi a razão de sua entrada no show dos "Yardbirds", com direito a aparição de Jimmy Page? Todas essas respostas talvez não sejam reveladas, mas é inegável o que o desfecho do filme representa para a história. Nunca vi algo tão simbólico no cinema quanto a partida de tênis imaginária assistida por Thomas, que, subitamente se vê contagiado por aquela situação, ao buscar uma bolinha que nem mesmo existe no centro de um parque. Um clássico.

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