A Família Savage
"A Família Savage", de 2007, não é um filme divertido. É um filme pesado, obscuro, mas que toca em uma ferida bem aberta em nossa sociedade: o envelhecimento. O grande trunfo da obra é que, abordando uma temática tão importante, faz imersões bastante profundas na vida pessoal e no psicológico dos dois protagonistas. Trata-se da história de um casal de irmãos que em determinado momento de suas vidas precisam acolher o pai enfermo que até então vivia com uma namorada, e que nunca ligou muito para eles. Por ter sido um pai ausente, o idoso não é bem recebido pelo casal de filhos, que, por razões não muito claras no filme, possuem motivos suficientes para sentir pouco ou nenhum afeto por ele. Não é que os filhos maltratem o pai, mas simplesmente não o tratam, agindo em relação a ele como se este fosse um encosto em suas vidas, aguardando sua morte, que os libertaria da pena de ter que cuidá-lo. Cuidar, no entanto, não é algo a que se dedicam durante os dias que passam com o pai, entregando esta tarefa a um asilo, ou lar de idosos, ou seja lá como chamam estas casas.
Os asilos são, como o próprio protagonista afirma, locais onde os velhinhos aguardam a morte. Embora existam as mais diversas formas de transformar o lugar em algo acolhedor e familiar, os asilos são essencialmente um receptáculo de idosos desprezados por aqueles que, esperava-se, cuidariam deles no futuro, mas que, incapazes de tal ato, entregam a responsabilidade para terceiros. O interessante em "A Família Savage" é que não há, da parte do filme, um julgamento moral da atitude apática dos protagonistas em relação ao pai, o que invariavelmente caberá ao espectador. Através do conhecimento da vida pessoal do casal de irmãos, uma vida conturbada e mesquinha, típica do cidadão médio-burguês mal realizado, cabe a nós avaliar se foi certo ou errado o que fizeram com o pai. Faríamos o mesmo? Faríamos menos? O personagem de Philip Seymour Hoffman (um baita ator, diga-se de passagem) não parece demonstrar o mínimo de interesse em um aprofundamento da relação com o pai, nem mesmo pelo desencargo de sua consciência, ao passo que a irmã procura não se sentir tão culpada assim, comprando presentes para o velhinho ou tentando levá-lo para um asilo melhor. A verdade é que, se há um avanço no que diz respeito as relações humanas e sociais dos protagonistas ao longo do filme, este avanço está no relacionamento entre eles mesmos, irmãos afastados que acabam se conhecendo melhor, o que se dá de forma pouco clichê, sem prejudicar o filme.
Os asilos são, como o próprio protagonista afirma, locais onde os velhinhos aguardam a morte. Embora existam as mais diversas formas de transformar o lugar em algo acolhedor e familiar, os asilos são essencialmente um receptáculo de idosos desprezados por aqueles que, esperava-se, cuidariam deles no futuro, mas que, incapazes de tal ato, entregam a responsabilidade para terceiros. O interessante em "A Família Savage" é que não há, da parte do filme, um julgamento moral da atitude apática dos protagonistas em relação ao pai, o que invariavelmente caberá ao espectador. Através do conhecimento da vida pessoal do casal de irmãos, uma vida conturbada e mesquinha, típica do cidadão médio-burguês mal realizado, cabe a nós avaliar se foi certo ou errado o que fizeram com o pai. Faríamos o mesmo? Faríamos menos? O personagem de Philip Seymour Hoffman (um baita ator, diga-se de passagem) não parece demonstrar o mínimo de interesse em um aprofundamento da relação com o pai, nem mesmo pelo desencargo de sua consciência, ao passo que a irmã procura não se sentir tão culpada assim, comprando presentes para o velhinho ou tentando levá-lo para um asilo melhor. A verdade é que, se há um avanço no que diz respeito as relações humanas e sociais dos protagonistas ao longo do filme, este avanço está no relacionamento entre eles mesmos, irmãos afastados que acabam se conhecendo melhor, o que se dá de forma pouco clichê, sem prejudicar o filme.
Um dos momentos mais marcantes da obra, ou talvez os dois momentos mais marcantes, envolve a cadelinha de estimação do amante da protagonista, um homem casado que só mantem tal relação adúltera pela sua satisfação sexual. Enquanto faz sexo com o amante, Wendy, a protagonista, acaricia a cadela, pouco envolvida e satisfeita com o ato, demonstrando que, se há afeto ali, este se encontra entre ela e a cachorra, e não entre ela e o amante. Por fim, a cena final, também envolvendo a cadelinha. Mas não vou contar. Bom filme!



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