As Esposas de Stepford
Fazia tempo que não assistia a um filme tão interessante quanto "The Stepford Wives", de 1975. Confesso que não me lembro de ter visto algum dia uma obra que abordasse a temática do machismo/feminismo, e muito menos um filme que conseguisse combinar este assunto com o gênero terror. Enfim, recebi a sugestão da minha namorada, que também ainda não havia assistido, e nos surpreendemos com este cult tão pouco citado quando falamos de cinema de horror da década de 70. Os primeiros momentos da história são um lugar comum dos filmes de suspense e terror norte-americanos: um casal novaiorquino decide mudar-se para Stepford, um vilarejo tranquilo em Connecticut, típico local onde "não é preciso trancar a porta de casa", como afirma um dos moradores para o casal recém-chegado. Apesar da aparente tranquilidade do lugar, não demora muito para que a protagonista Joanna perceba que há algo por trás da passividade com que as esposas da cidade se comportam em relação a seus maridos.
Com uma mentalidade novaiorquina e bastante progressista, Joanna enxerga com perplexidade não apenas a submissão das novas vizinhas aos desejos de seus companheiros, mas também o fato de estes se reunirem em uma associação masculina, com reuniões e pautas secretas. A recém-chegada faz amizade com aquela que parece ser a única moradora do local que compartilha de seu pensamento feminista, e que também se indigna com a vida de "Amélia" que levam as mulheres de Stepford. Ambas reconhecem que há uma ligação entre a associação de homens da cidade e o comportamento submisso feminino de suas esposas, e partem em busca da verdade. Diferentemente da grande maioria dos filmes de terror convencionais, o ritmo de "As Esposas de Stepford" é lento e, a princípio, o tema do machismo é tratado de forma bastante sutil. Com o desenrolar da história, a crítica à sociedade machista norte-americana é tratada de forma mais interessante, através do comportamento de alguns personagens homens da história, que não respeitam a autonomia de suas esposas, enxergando-as como mera mantenedoras do lar e dos filhos.
O que faz da obra algo especial, além do mistério que ronda a passividade das mulheres, é o constante medo da protagonista de que, ao exemplo das tantas amigas vizinhas, chegue em algum momento a sua vez de tornar-se uma "esposa de Stepford". Joanna percebe que luta sozinha no vilarejo e que, a despeito de seus ideais feministas, a sua transformação em uma esposa submissa é algo que não depende de sua vontade, mas do desejo dos membros da associação de homens do local. Este clima de tensão persiste mesmo após a descoberta do mistério (o clímax da obra), uma vez que o que choca neste filme não é propriamente a infeliz história daquela cidade, mas sim a consciência de que há um pouco de Stepford dentro da residência de cada um de nós e - assim como os personagens do filme - são poucos os que se atentam para este tipo de situação.
Com uma mentalidade novaiorquina e bastante progressista, Joanna enxerga com perplexidade não apenas a submissão das novas vizinhas aos desejos de seus companheiros, mas também o fato de estes se reunirem em uma associação masculina, com reuniões e pautas secretas. A recém-chegada faz amizade com aquela que parece ser a única moradora do local que compartilha de seu pensamento feminista, e que também se indigna com a vida de "Amélia" que levam as mulheres de Stepford. Ambas reconhecem que há uma ligação entre a associação de homens da cidade e o comportamento submisso feminino de suas esposas, e partem em busca da verdade. Diferentemente da grande maioria dos filmes de terror convencionais, o ritmo de "As Esposas de Stepford" é lento e, a princípio, o tema do machismo é tratado de forma bastante sutil. Com o desenrolar da história, a crítica à sociedade machista norte-americana é tratada de forma mais interessante, através do comportamento de alguns personagens homens da história, que não respeitam a autonomia de suas esposas, enxergando-as como mera mantenedoras do lar e dos filhos.
O que faz da obra algo especial, além do mistério que ronda a passividade das mulheres, é o constante medo da protagonista de que, ao exemplo das tantas amigas vizinhas, chegue em algum momento a sua vez de tornar-se uma "esposa de Stepford". Joanna percebe que luta sozinha no vilarejo e que, a despeito de seus ideais feministas, a sua transformação em uma esposa submissa é algo que não depende de sua vontade, mas do desejo dos membros da associação de homens do local. Este clima de tensão persiste mesmo após a descoberta do mistério (o clímax da obra), uma vez que o que choca neste filme não é propriamente a infeliz história daquela cidade, mas sim a consciência de que há um pouco de Stepford dentro da residência de cada um de nós e - assim como os personagens do filme - são poucos os que se atentam para este tipo de situação.



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