Os Intocáveis


Filme de máfia tardio, de 1987, "Os Intocáveis" é dirigido por Brian de Palma, autor de obras como "Carrie, A Estranha" (1976) e o divertido "Scarface" (1983). A premissa da obra é contar a história da prisão de Al Capone, interpretado por Robert De Niro, que já havia estrelado "O Poderoso Chefão - Parte II" (1974) e que mais tarde faria "Os Bons Companheiros" (1990), filmes com temáticas semelhantes. Para quem não conhece a história, Al Capone foi um dos gângsters mais famosos da história dos Estados Unidos, tendo se envolvido principalmente com o comércio ilegal de bebidas alcoólicas durante a Lei Seca norte-americana, na década de 20 e 30. Como a polícia federal não conseguia prendê-lo, por ausência de provas quanto aos crimes de assassinato, capturaram-no por sonegação fiscal. Isto lhe rendeu alguns anos na cadeia, tendo sido solto pouco tempo antes de sua morte, por sífilis. O filme de Brian de Palma não se propõe a realizar a biografia do mafioso, mas nos conta a história a partir da perspectiva de um grupo de policiais incorruptíveis, e por isso "intocáveis", que empreende uma luta contra os contraventores da Lei Seca. O grupo é liderado por Eliot Ness (Kevin Costner), que conta com um bom time de coadjuvantes, como Sean Connery (que ganhou o Oscar por esse papel) e Andy Garcia, cubano que mais tarde estrelaria a parte final da trilogia de "O Poderoso Chefão". 

Se não fosse por cenas bastante marcantes, o filme seria apenas um drama policial bem dirigido com elenco de estrelas e trilha sonora de Ennio Morricone, que teria feito melhor se não aceitasse este trabalho. A pieguice da trilha é, no entanto, compensada pela ambientação noir da cidade de Chicago, que em alguns momentos, mas em apenas alguns momentos, combina com a música de fundo. Voltando às boas cenas, talvez a melhor delas seja um tiroteio na escadaria da estação de trem, quando nós espectadores não sabemos se ficamos mais tensos com a perspectiva da morte do personagem de Costner ou com a iminente queda de um carrinho de bebê na escadaria, para o desespero da mãe que nada pode fazer para alcançá-lo. As mortes na escada são uma referência interessante ao soviético "Encouraçado Potemkin" (1925). As cenas finais do filme caminham para a temática da "justiça a qualquer preço", com um homicídio cometido pelo protagonista e uma estranha decisão judicial que dispensou qualquer protocolo no júri do Al Capone. "Os Intocáveis" é um filme marcante. A vida pessoal do policial Eliot Ness, entretanto, é tratada de forma rasa e o desfecho feliz, conduzido pela música orquestrada de Morricone, faz do filme uma obra sobre Máfia pouco sombria. Um belo cenário, uma boa história e grandes atores: todos poderiam ter sido melhor aproveitados.

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