Sob a Pele
Scarlett Johansson interpreta um ser, ao que parece de outro planeta, que alimenta-se de homens. Este é, resumidamente, o roteiro de "Sob a Pele", filme de Jonathan Glazer. Esteticamente é uma obra bastante interessante, principalmente quantos às cenas do ritual antropofágico, se é que pode ser chamado assim, praticado pela protagonista. Não é possível ao espectador entender de forma razoável o que está acontecendo entre a personagem de Scarlett e suas presas, mas a trilha e o teor sexual em cada um destes momentos faz do filme algo peculiar. Metaforicamente, a obra é ainda mais atrativa. Isto porque a protagonista é claramente alguém que não pertence a este planeta e que possui dificuldades em adaptar-se a ele. Nos primeiros momentos do filme, ela adquire a forma de uma mulher bastante atraente, um recurso primordial para a captura de suas presas. O aspecto físico de uma mulher comum, no entanto, contrasta com o comportamento de um ser que não enxerga sentido algum na vida que os habitantes da Escócia, local em que habita, levam. A protagonista anseia por uma humanidade inalcançável, o que nos é mostrado quando tenta, em vão, comer um pedaço de uma bela torta de chocolate. A personagem de Scarlett, atriz que por sinal está perfeita no papel, sente uma enorme repulsa apenas por colocar aquele pedaço de bolo em sua boca. Mais tarde, quando tenta fazer sexo com um desconhecido, vê sua tentativa frustrada ao dar-se conta que não possui uma vagina. A ambientação deserta, gigante e inóspita da Escócia, somada a uma trilha sonora extremamente equilibrada, são a cereja do bolo desta obra que é primorosa não apenas pela temática, mas também pela maneira sutil e agradável com que é tratada. Obra-prima.



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