O Grande Hotel Budapeste


O líder de indicações ao Oscar é um filme anglo-alemão simpático e muito engraçado, com um elenco estelar, que inclui nomes como Jude Law, Harvey Keitel, Bill Murray, Owen Wilson, Willem Dafoe, Adrien Brody e Ralph Fiennes. Curiosamente, "O Grande Hotel Budapeste" não recebeu nenhuma indicação nas categorias de melhor atuação, sinal que o Oscar tem dificuldades em reconhecer bons trabalhos de atores e atrizes em filmes de comédia. Aliás, já é uma surpresa que este filme tenha sido tão lembrado pela Academia, por ser curto e essencialmente uma história cômica, cujo principal trunfo é o experimentalismo no uso das cores e da câmera, o que por vezes causa vertigem no espectador, mas não deixa de ser um espetáculo para os olhos. A obra é uma história dentro de outra. O narrador inicial é o autor de um fictício livro homônimo ao filme, que nos conta como teve a ideia para escrevê-lo. A partir daí quem passa a ditar a história é Moustafa, antigo mensageiro do hotel, que tornou-se dono do Budapeste a partir de sua amizade com o antigo concierge da casa, M. Gustave, o real protagonista da história.

É uma confusão, mas isso é o que torna o filme engraçado. Gustave é um bon vivant que descobre ser herdeiro de uma importante obra de arte muito valiosa, e, acompanhado de seu mensageiro, vai fazer o possível para que ela seja sua. O mensageiro, por sinal, um jovem de aparência indiana (que na verdade é interpretado por um ator norte-americano), é um dos pontos altos do filme, por sua atuação contida mas muito cômica. Impressionam no filme as paisagens, as construções, o figurino... A estética é maravilhosa, muito original. A maneira como é filmado também é marcante, com planos longos e pouco movimento da câmera, que se limita a estacionar-se e observar o que acontece, mexendo-se apenas quando algo novo acontece no cenário. Em alguns momentos a narrativa desenvolve-se como em uma peça de teatro. É um truque muito bem aplicado pelo diretor.

Neste ano de excelentes filmes indicados ao Oscar, com muitas obras não americanas, "O Grande Hotel Budapeste" é sem dúvidas o melhor dos europeus. É também o melhor filme de Wes Anderson até hoje, superando "Os Excêntricos Tenenbauns" e a animação das raposas, que não é tão boa assim e foi ofuscada por "Up - Altas Aventuras", quando lançada - embora isso tenha sido uma grande injustiça. A decadência do hotel e do leste europeu e a maneira como alguns personagens são castigados pelos conflitos ocorridos na região da fictícia cidade onde se passa a história poderia dar um tom político ao filme, mas os grandes destaques da obra são sem dúvidas as locações, bela fotografia e uma direção irreverente. Não será o vencedor do Oscar, mas é digno de menção honrosa, que pode vir com a vitória em categorias mais técnicas, como edição de arte, fotografia e até mesmo direção. Um cult instantâneo.

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