Ida
Primeiro Oscar da Polônia, que já disputou várias vezes o prêmio de melhor filme estrangeiro, "Ida" é uma obra que, esteticamente, lembra um pouco o cinema sueco de Ingmar Bergman. Também carrega semelhanças com um filme independente do ano passado, "Nebraska", ambos road-movies com fotografia em preto e branco. Aliás, se "Nebraska" foi subestimado, o contrário aconteceu com "Ida", tanto é que levou a estatueta no Oscar, superando filmes que eram na realidade melhores que o polonês. Levando em consideração apenas o aspecto visual, "Ida" é uma obra magnífica, mas não é possível desconectá-la do roteiro, fraco e que não se sustenta com os poucos diálogos entre a protagonista, uma freira, e sua tia, uma boêmia juíza de direito. O contraste entre as duas, perceptível desde o início, acentua-se à medida que ambas conhecem-se melhor durante sua jornada em busca de respostas para o passado dos pais de Ida, nome da religiosa. Não há narração nem muita verborragia no roteiro que explique exatamente o mistério que cerca a protagonista, mas não é difícil compreendê-lo através das sugestões lentamente desabafadas pelos personagens - o que demonstra certo respeito da direção à inteligência do espectador. É um filme sobre a auto-descoberta de uma religiosa, ao longo de uma viagem acompanhada de uma parente desconhecida, de comportamento, sob o seu ponto de vista, libidinoso. A influência da personalidade da tia, no entanto, aos poucos acaba revelando-se uma alternativa para sua vida antes dos votos finais que, se aceitos, a aprisionarão em um convento. "Ida" é um deleite para os olhos, mas peca em contar uma história que arrisca muito pouco.



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