Leviatã
Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, este filme russo tem sido recebido pela crítica como uma grande metáfora ao país de Putin: um lugar vasto e corrupto. O título da obra tem um duplo significado, podendo representar tanto a extensão continental da Rússia quanto a relação entre o protagonista e o Estado que o oprime, em uma referência à obra do cientista político Thomas Hobbes. O que faz de "Leviatã" um filme marcante é a maneira assombrosa como a vida dos seus personagens decai à medida que perdem uma disputa judicial contra o prefeito da cidade onde vivem. Fica-nos claro que a derrota nos tribunais é um dos efeitos de uma imensa cadeia de corrupção que assola a burocracia russa, o que não é tão diferente da realidade brasileira. É uma obra longa, de mais de duas horas de duração, mas bem conduzida e encenada, com uma história que desenrola-se em um ambiente melancólico, mas bonito, desolado e decadente, como devem ser muitas das cidades do interior da Rússia. Chama a atenção os excêntricos costumes russos, como o gosto por armas de fogo e a personalidade reservada, além do consumo excessivo de vodka, combustível para muitas das atitudes tomadas pelos personagens ao longo da história. Foi uma pena não ter vencido o Oscar, pois é o que possui o roteiro mais consistente dos que concorreram ao prêmio de melhor filme estrangeiro.



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