Relatos Selvagens



A Argentina é uma presença constante no Oscar, sempre com bons filmes. "Relatos Selvagens" é um deles - um conjunto de seis crônicas - algumas surreais, outras não, mas todas bem divertidas. O fio que une todas as narrativas é a presença, em cada uma delas, de um protagonista que revolta-se contra uma injustiça. E revolta-se de maneira bastante selvagem, daí o título. Os cenários são um avião, um restaurante de beira de estrada, auto-estrada, o trânsito caótico de Buenos Aires e uma festa de casamento. As crônicas são boas, mas o ponto alto de todo o filme é a maneira como são contadas, muito bem dirigidas e principalmente bem atuadas pelos atores argentinos, que são espetaculares. Dentre eles está o onipresente Ricardo Darín, que não obstante seu indiscutível talento como ator é também um caça-níquel para os produtores de cinema de seu país. É comum que filmes argentinos estreiem em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo unicamente pelo fato de serem estrelados por Darín - um fenômeno. Há pouco o que se dizer sobre "Relatos Selvagens". Como "Medianeras", "Tese Sobre um Homicídio" e "O Segredo dos seus Olhos", outros filmes portenhos, esta obra é marcante por estar conectada com o mundo real e representar personagens muito verossímeis, mesmo que em histórias por vezes pouco realistas. Só não venceu o Oscar por ser latino, quando ultimamente tem sido o foco da Academia premiar filmes europeus ou asiáticos.

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