Harry e Sally



Meg Ryan e Billy Crystal nunca estiveram tão bem em suas carreiras quanto nesta comédia romântica de 1989. "Harry e Sally" foi um dos primeiros trabalhos mais notórios dos dois atores e certamente os estigmatizou como especialistas do gênero, emplacando papéis do tipo durante toda a vida, mas sem alcançar o mesmo sucesso que neste filme. Em seus primeiros momentos, a obra me lembra de "Aconteceu Naquela Noite", de Frank Capra, com dois personagens viajando juntos e a iminência do desfecho óbvio em que vão acabar se apaixonando. Essa expectativa, no entanto, é frustrada quando Sally escapa das investidas de Harry, que é namorado de sua melhor amiga. Os dois viajam para Nova York, nada acontece e eles se despedem, para se encontrarem alguns anos mais tarde em situações diferentes: ele quase casado e ela comprometida. O tempo passa novamente e o casal se encontra outra vez por acaso: desta vez Harry está desapontado por um divórcio e Sally sem esperanças de encontrar um marido. É exatamente a situação emocional deplorável dos dois que vai conduzi-los a uma amizade sincera, ainda que Harry deixe claro nos primeiros momentos do filme que jamais seria amigo de uma mulher sem desejá-la sexualmente. Os encontros do casal pelos pontos mais famosos de Nova York são a cereja do bolo, com um humor suave e uma interpretação magistral de Crystal, que devia estar realmente encantado por uma Meg Ryan tão amável. A cena do café, quando Sally tenta provar ao amigo que qualquer mulher, inclusive ela, pode simular um orgasmo, é sem dúvidas uma das mais icônicas do cinema norte-americano. Esse foi um dos primeiros filmes românticos com a fórmula - casal de amigos se apaixona - que hoje em dia é tão cansativa, mas mesmo assim muito explorada por Hollywood. O pioneirismo de "Harry e Sally", no entanto, aliado aos diálogos inteligentes e atores bem escolhidos, faz deste filme um dos melhores, senão o melhor, filme de comédia romântica já feito nos Estados Unidos.

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