Café Society
Assisti com certo atraso ao último filme do Woody Allen, mas com sorte ainda no cinema. É uma obra muito delicada e bem escrita, com um roteiro de padrão repetitivo na filmografia do diretor, que, no entanto, surpreende pela leveza com que toca em assuntos como Deus e a morte. A escolha do casal protagonista foi muito acertada, sobretudo pelo Jesse Eisenberg, ator cult que foge do convencional rol de artistas que estrelam romances de Hollywood. De Kristen Stewart é melhor nem falar, apenas contemplar. O filme, que por sinal se passa em Los Angeles, é ambientado na década de 20/30, época bastante querida por Woody Allen. É o período do entre-guerras, do Jazz, dos grandes poetas, do jovem cinema falado, dos mafiosos. É o momento da história em que os norte-americanos, mais do que nunca, acreditavam que podiam ser o que quiserem. Afinal, eles haviam vencido sua segunda guerra consecutiva. Para o jovem protagonista, apaixonar-se e conseguir um emprego na terra do cinema eram suas prioridades. Ele consegue tudo isso, mas sua amada não pertence somente a ele. A infidelidade, a paixão, os jantares, os papos-cabeça, a leviandade da elite de Hollywood, todos essas pequenas peças dos quebra-cabeças que são os filmes de Woody Allen se juntam para compor um filme que dá gosto de ser assistido. O humor negro e a religião judaica são expressos em um momento ímpar, que é a fala de um dos personagens: "os judeus aumentariam sua clientela se acreditassem na vida após a morte". Este é o Woody Allen em toda a sua essência: um talento questionador, inteligente, desconstruidor e que continua firme em sua tarefa árdua de produzir arte para que a gente saia da sala e diga: "Isso é Cinema!".



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