Pânico
Seguindo uma breve sequência de críticas de filmes de terror - que deve durar ainda mais uma semana, pois comprei um box com bons títulos - resolvi escrever algumas poucas palavras sobre "Pânico", de 1996. Foi no fim da década de 90 que comecei a frequentar as locadoras, e o cartaz de "Pânico" era com certeza um dos mais icônicos e presentes nas paredes cheias de posters. A figura do vilão "ghostface", que ilustra esse post, também pertence ao meu imaginário e de muitas outras pessoas quando se pensa em um assassino do cinema. Na época eu não sabia, mas o filme é seguramente uma das últimas grandes obras de terror do século passado, com uma menção honrosa à "A Bruxa de Blair" e "O Sexto Sentido", ambos de 1999. Foi dirigido por Wes Craven, diretor conceitual (infelizmente já falecido), que criou um número considerável de obras cults, sendo a mais importante delas "A Hora do Pesadelo" (1984), cujo personagem principal tornou-se um dos maiores ícones da cultura pop: Freddy Krueger. Em "Pânico", Wes Craven faz uma auto-avaliação do cinema de horror e também de seu trabalho. Sabendo que o gênero já estava bastante desgastado em 1996, apesar de ter sido uma década de filmes de terror muito bons, tendo um deles inclusive ganhado o prêmio principal do Oscar - "O Silêncio dos Inocentes" (1991) - Craven utiliza da metalinguagem para explicar ao seu espectador os maiores clichês do cinema de horror, incorporando estes lugares comuns ao próprio filme, fazendo piada do seu roteiro e da sua filmografia. A premissa da história, escrita pelo mesmo autor de "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado" (1997) é basicamente a narrativa de um assassino em série que aterroriza jovens de ensino médio, telefonando para eles antes de matá-los das maneiras mais cruéis possíveis. A expectativa de descobrirmos a real identidade do vilão, embora instigante, não é propriamente o que faz do filme uma experiência prazerosa, mas sim as constantes brincadeiras do diretor e roteirista, que insistem em fazer acontecer no filme justamente aquilo que criticam como os maiores estereótipos do gênero, tais como o personagem virgem que não morre, a loira que foge para locais fechados ou o personagem que diz "volto logo", mas que morre em seguida. A inédita metalinguagem de "Pânico" supera o seu pecado de ser mais um filme sobre um serial killer. Mais do que isso: inovando ao falar de cinema de horror dentro de um filme do mesmo gênero e fazendo referências aos maiores clássicos do passado, a obra acabou tornando-se um clássico também.



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