Batman (1989)



Filmado em 1989, este é o primeiro longa de uma sequência de quatro filmes que trouxe Batman para o cinema de uma forma muito mais ambiciosa do que as séries da década de 40 e 60. A grande particularidade desse filme é que foi filmado por Tim Burton, algo determinante na maneira como a história do homem morcego é contada. Afinal de contas, Tim Burton é um diretor de trabalho muito característico, amante dos quadrinhos, com uma grande queda pelo gótico e visuais excêntricos. Talvez seja essa uma das razões para o destaque do personagem do Coringa na obra, que lembra bastante o memorável Besouro Suco, vilão e protagonista de "Os Fantasmas se Divertem" (1988).

O roteiro do filme é muito apegado aos quadrinhos, trazendo poucas sacadas originais no argumento. A criatividade fica mesmo na edição de arte e nos cenários já um pouco datados de uma Gothan City futurista, urbanizada, parecida com a metrópole de Blade Runner (1982). A cidade está dominada pelo crime organizado e as quadrilhas de criminosos brigam entre si como gangues. Um dos líderes do crime é Jack Napier, interpretado por Jack Nicholson. Curiosamente, o coringa nunca teve esse nome no quadrinhos, mas no filme de Tim Burton o Jack Napier e Coringa são a mesma pessoa, por causa do Batman, é claro. Seguindo uma ideia dos quadrinhos, é o Cavaleiro das Trevas o responsável por transformar o coringa em quem ele é. Essa premissa ocupa um tempo considerável no filme e é algo importante para o roteiro.

O Batman é interpretado por Michael Keaton. O ator fez ainda outro filme como o homem morcego junto a Tim Burton, em 1992. Depois disso, recusou as outras oportunidades. Mais tarde, o papel de Keaton como Batman seria inspiração para o roteiro de "Birdman", o excelente filme de Iñárritu, que venceu o Oscar de melhor filme de 2015 (crítica aqui). Considero o Michael Keaton o melhor Bruce Wayne do cinema até hoje, pela semelhança que ele guarda com o personagem dos quadrinhos, com o cabelo um pouco alto e o queixo pra frente, sem contar que ele é um ator bacana, que foge do estereótipo de Hollywood. O Coringa de Jack Nicholson é um pouco inconstante. Não há como negar que seja um personagem muito próximo da representação dos quadrinhos. Colorido, com o sorriso artificial, brincalhão, medonho. Nicholson consegue preencher todos esses atributos, mas atua melhor em alguns momentos do que outros. É interessante que Heath Ledger, que o foi o melhor Coringa do cinema até hoje, tenha incorporado muito dos maneirismos de Nicholson em sua atuação magistral vencedora do Oscar póstumo em 2009, em "O Cavaleiro das Trevas", de Christopher Nolan.

Este é um filme do Batman muito próximo a ideia dos quadrinhos da década de 40. O vilão é caricato, há uma boa dose de humor e também uma loira femme fatale que conquista Bruce e descobre sua identidade. A presença de uma figura feminina é constante nas adaptações de Batman para o cinema. Inicialmente elas são apenas coadjuvantes, mais tarde os cabelos mudam de cor, elas se tornam vilãs e depois heroínas. Esta é uma obra que se preocupa bastante com as origens dos personagens, principalmente Batman e o Coringa. Há uma breve participação de Harvey Dent, que é interpretado por um ator negro, algo curioso. Não há nenhuma imersão profunda na discussão do papel de Batman como combatente do crime, já que o homem morcego tem a opinião pública a seu favor e é parceiro da polícia. O desfecho do filme, na catedral gótica de Gothan City, lembra bastante os momentos finais de "O Corcunda de Notre Dame", romance de Victor Hugo. Creio que não é uma coincidência, porque Tim Burton sempre foi amante das referências em suas obras. Não considero o melhor filme do Batman já feito, mas é com certeza o melhor do século passado e um dos grandes filmes de super-herói já realizados.

Comentários

Postagens mais visitadas