Lila Diz



Confesso que assisti "Lila Diz", de 2004, pela capa do filme, que já nos antecipa sua protagonista, uma daquelas loiras estonteantes do cinema, que só tem precedentes em "Instinto Selvagem", com Sharon Stone. Parece brincadeira, mas é verdade. A atriz francesa que faz Lila é uma força magnética dentro do roteiro, não só pra nós espectadores, mas pra todos os personagens com os quais convive, até mulheres. O jovem Chimo, vizinho de Lila e morador da periferia francesa, aquela pouca retratada em filmes, apinhada de muçulmanos - tão importantes para a França - logo se encanta por ela também. O primeiro encontro dos dois, inclusive, foge totalmente do convencional, até porque Lila em poucos minutos de filme já revela que é obcecada por sexo. Os dois vivem então uma paixão intensa, sempre relacionada a aventuras sexuais, que Lila sugere e Chimo ouve estupefato. Por alguns minutos o filme caminha pra se transformar em um pornô leve, mesmo sem nenhuma cena de sexo nem nudez explícita, mas pela superficialidade dos diálogos e o insistente retorno ao erotismo nas falas de sua protagonista. Mas em meados do filme a história ganha mais corpo, os diálogos também e a experiência se torna mais romântica ao espectador. Por retratar adolescentes, tudo tem um ar de experimentação, descobertas, principalmente para Chimo, mais inexperiente, que narra a história em primeira pessoa e confessa não ter nenhum assunto nem história pra contar a sua amada. O filme toca também no tema da tolerância e do machismo, principalmente em seu desfecho que é um pouco mais dramático do que esperávamos ou do que poderia ser. Ainda assim é um filme bonito e diferente para nossos olhos, naturalmente acostumados a obras mais convencionais.

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