O Poderoso Chefão - Parte II
Motivado pelo grande sucesso do primeiro filme, Coppola e Mario Puzo elaboraram o roteiro de uma continuação para o "O Poderoso Chefão", lançada em 1974, que é ao mesmo tempo uma sequência e prequela, contando a história de Michael após os incidentes do primeiro filme e a narrativa da infância, juventude e amadurecimento de Vito Corleone em Nova York. Marlon Brando foi preterido para interpretar Vito, porque precisavam de um ator mais jovem, condizente com os vinte e pouco anos que ele teria na história. Pensando bem, foi bom que ele não tenha sido escalado, até porque isso poderia causar a sensação de que os demais atores não teriam força suficiente para tocar o filme sem precisarem recorrer ao ressurgimento de um personagem morto. Robert De Niro foi escolhido e deve ter ficado muito agradecido, pois foi um dos seus primeiros filmes de máfia, gênero que ele repetiria tantas e tantas vezes desde então.
O protagonismo da obra é dividido por Al Pacino e De Niro, cada um em uma história paralela, grandes atores. Curioso que ambos falam pouco, são ítalo-americanos e convencem muito em seus papéis. A história de Vito - que deixa a Sicília e se estabelece em Nova York até se tornar um dos maiores mafiosos dos Estados Unidos - ocupa um espaço menor do roteiro. Embora fascinante, a história não acrescenta nada de relevante aos incidentes do primeiro e segundo filme. A vida de Vito Corleone não foi contada pra sustentar nenhum acontecimento do enredo principal e, embora longe de ser dispensável, ela soma consideráveis minutos das mais de três horas de filme. Os demais minutos são, é claro, dedicados a narrativa da trajetória de Michael e sua família em Nevada, dois anos após terem saído fugidos de Nova York, dando continuidade aos incidentes do primeiro filme.
A trama não tem a mesma força do primeiro filme, infelizmente. A cena inicial é novamente uma festa, desta vez da celebração da primeira comunhão do filho de Michael. Como no filme de 1972, Don Corleone resolve assuntos de negócios, envolvendo políticos e outros chefes de famílias mafiosas. Do lado de fora, as pessoas festejam, sorriem, tiram fotos, ouvem música clássica. As relações entre os gângsters são mais confusas e intrincadas que as do primeiro filme. Essa falta de obviedade pode ser um recurso do roteiro para sugerir ao espectador que Michael não permitirá a ninguém que saiba de detalhes de suas transações, sendo que algumas minúcias são escondidas até mesmo de seu advogado, Tom Hagen, interpretado por Robert Duvall. O foco da trama está nos cassinos de Michael e na disputa por influência com outros chefes de famílias criminosas.
O filme tem uma longa passagem em Cuba. Como o ano é 1959, Michael acaba sendo testemunha da Revolução Cubana, que colocou Fidel Castro no governo da ilha. Curioso que Fidel é o único personagem real citado em todo o filme. Nos momentos que a história se passa em Cuba, Michael irá descobrir um traidor dentro de sua família, além de ficar mais claro para nós espectadores quem é o verdadeiro vilão dos Corleone. Há uma cena bem descartável na ilha cubana, quando Hyman Roth celebra o seu aniversário e distribui pedaços de bolo aos amigos mafiosos, um simbolismo óbvio para a divisão de seu patrimônio. Um dos momentos notáveis nesta etapa do filme é quando Michael descobre o seu traidor, selando nele um beijo na boca, uma referência ao beijo de Judas em Jesus Cristo.
O segundo filme de "O Poderoso Chefão" tem uma diferença marcante em relação ao primeiro. Enquanto na obra de 1972 acompanhamos a ascensão de Michael ao posto de Don Corleone, na sequência somos testemunhas de seu declínio. Isto porque o protagonista está sendo investigado pela polícia e ao mesmo tempo caçado pelos inimigos. Ainda que triunfe, a vida também já não é a mesma coisa para a sua família. A esposa Kay (Diane Keaton) está no auge da decepção com o marido, pedindo o divórcio e vivendo uma relação abusiva. A irmã Connie é marcada pelo passado, culpando o irmão por seus maiores infortúnios. Todos esses fatos em conjunto nos fazem ter menos empatia por Michael, que chega até mesmo a ordenar a morte de uma prostituta inocente. Essa transformação do caráter do protagonista pode ser uma ressalva dos roteiristas em relação à romantização dos mafiosos pelos espectadores do primeiro filme. A situação é diferente na história paralela de Vito Corleone, muito mais romântica e óbvia, que em seus primeiros minutos parece até um western de Sergio Leone.
Tomando o filme pelo conjunto da obra, é mais ambicioso que o primeiro, principalmente por contar uma história paralela com qualidade. Escolheram um dos grandes atores de Nova York, De Niro, em grande momento. No que diz respeito a trama de Michael, é inegavelmente mais fraca, pra não dizer um equívoco completo. O enredo merecia um antagonismo maior entre os mafiosos, uma exploração dos cassinos de Las Vegas ou um aprofundamento nas relações com o senador Pat Geary. A trama sugere tanta coisa que ficamos sem saber de praticamente nada. Por fim, a cena em flashback da família Corleone celebrando o aniversário de Vito é outro momento em que o espectador fica se perguntando o que é que o inexpressivo Michael sente afinal: saudades, arrependimento ou talvez...nada. Embora tenha vencido o Oscar de melhor filme em 1975, a segunda parte de "O Poderoso Chefão" deixa a desejar não apenas para o seu antecessor, mas também para "A Conversação", brilhante filme de Coppola do mesmo ano.
O segundo filme de "O Poderoso Chefão" tem uma diferença marcante em relação ao primeiro. Enquanto na obra de 1972 acompanhamos a ascensão de Michael ao posto de Don Corleone, na sequência somos testemunhas de seu declínio. Isto porque o protagonista está sendo investigado pela polícia e ao mesmo tempo caçado pelos inimigos. Ainda que triunfe, a vida também já não é a mesma coisa para a sua família. A esposa Kay (Diane Keaton) está no auge da decepção com o marido, pedindo o divórcio e vivendo uma relação abusiva. A irmã Connie é marcada pelo passado, culpando o irmão por seus maiores infortúnios. Todos esses fatos em conjunto nos fazem ter menos empatia por Michael, que chega até mesmo a ordenar a morte de uma prostituta inocente. Essa transformação do caráter do protagonista pode ser uma ressalva dos roteiristas em relação à romantização dos mafiosos pelos espectadores do primeiro filme. A situação é diferente na história paralela de Vito Corleone, muito mais romântica e óbvia, que em seus primeiros minutos parece até um western de Sergio Leone.
Tomando o filme pelo conjunto da obra, é mais ambicioso que o primeiro, principalmente por contar uma história paralela com qualidade. Escolheram um dos grandes atores de Nova York, De Niro, em grande momento. No que diz respeito a trama de Michael, é inegavelmente mais fraca, pra não dizer um equívoco completo. O enredo merecia um antagonismo maior entre os mafiosos, uma exploração dos cassinos de Las Vegas ou um aprofundamento nas relações com o senador Pat Geary. A trama sugere tanta coisa que ficamos sem saber de praticamente nada. Por fim, a cena em flashback da família Corleone celebrando o aniversário de Vito é outro momento em que o espectador fica se perguntando o que é que o inexpressivo Michael sente afinal: saudades, arrependimento ou talvez...nada. Embora tenha vencido o Oscar de melhor filme em 1975, a segunda parte de "O Poderoso Chefão" deixa a desejar não apenas para o seu antecessor, mas também para "A Conversação", brilhante filme de Coppola do mesmo ano.



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