Batman: o Retorno



Este é o segundo filme de Batman dirigido por Tim Burton, após o primeiro de 1989, que comentei aqui no blog. "Batman: o Retorno" (1992), segue uma fórmula semelhante a de seu antecessor, com uma edição de arte bem característica de Tim Burton e a presença de Michael Keaton pela segunda e última vez no papel do homem morcego. Outros atores agregam ao elenco, dentre eles nomes de peso, como Michelle Pfeiffer, Christopher Walken e Danny DeVito. O roteiro é assinado por um escritor sobre quem nunca ouvi falar nada.

A história não tem relação alguma com os eventos do primeiro filme de 1989 e o vilão principal é o Pinguim, interpretado por DeVito. O Pinguim é um personagem original dos quadrinhos de Batman, e apareceu pela primeira vez na história do morcego em 1941. À época, era representado como um criminoso de aparência comum, gordinho e com um nariz avantajado. Ele tinha grande relação com o submundo do crime de Gotham e conduzia boates noturnas frequentadas por criminosos, tanto é que atuou como informante do homem morcego em algumas histórias. Como vários dos vilões de Batman, Oswald Cobblepot (seu nome de verdade) é perturbado por traumas da infância, de modo que suas ações criminosas estão voltadas a superar problemas psicológicos do passado. 

Neste filme de Tim Burton, o Pinguim é representado de forma bastante diferente dos quadrinhos. A começar por ter uma ligação muito mais óbvia com o animal que lhe dá o apelido, além de viver nos esgotos e em um zoológico abandonado. Até sua aparência física é a de um Pinguim, com os dedos deformados, parecendo as mãos da ave. Outra característica marcante é a sua ligação com guarda-chuvas, que são também armas de fogo, o que realmente existia nos quadrinhos. Ignorando a má utilização do personagem pelo roteiro, há que se destacar a grande interpretação de DeVito, que fez neste filme um dos grandes papéis de sua carreira. Ainda hoje é comum vermos o Pinguim de DeVito em cosplay de jovens no mundo todo. No museu de cera de Petrópolis há um boneco incrível do personagem, o que demonstra o alcance dessa representação.

Christopher Walken também interpreta um vilão secundário e desnecessário, chamado Max Shreck. Apesar do talento de Walken, o personagem não está nos quadrinhos de Batman e muito menos torna o filme de Burton mais atrativo, um desperdício. A anti-heroína, Mulher Gato, é outra presença no filme. Interpretada por Michelle Pfeiffer, ela possui mais importância no roteiro pela sua interessante história de origem e pela representatividade em um filme tão masculino. Curioso que a Mulher Gato é uma heroína feminista, empoderada, mas no filme acaba sendo retratada como uma psicótica, principalmente quando comparada ao ajuizado Batman. Falando nele, o homem morcego tem uma presença ofuscada no filme, o que é bastante irônico já que ele deveria ser o protagonista.

Juntando todas as peças deste filme tão estrelado, o resultado final é algo muito abaixo do antecessor de 1989. O Pinguim, a maior força no filme, tem planos e projetos de ação bastante infantis, pouco convincentes. Sua associação com Max Shreck poderia ter sido melhor explorada, e eles até chegam a formar uma parceria que lançaria o Pinguim como prefeito de Gotham, em um golpe de fazer inveja a Michel Temer, mas que no entanto não vai adiante. Sua proposta de ação é semelhante ao infanticídio de Herodes, narrado na bíblia, mas o efeito da referência no filme é zero. Há muito talento desperdiçado, principalmente no roteiro. Este foi um dos retornos mais mal sucedidos do Cavaleiro das Trevas, um filme descartável para quem procura diversão, mas que vale a pena ser visto por causa de Danny DeVito, um grande ator e real protagonista da história. Depois dessa experiência, Tim Burton ainda produziria mais um filme de Batman, mas nunca mais como diretor.

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