101 Dálmatas
Produzido pela Disney em 1961, baseado em livro homônimo de 1956, "101 Dálmatas" é uma animação bem singela, que conta a história de um grupo de 99 cachorros da raça dálmata, caracterizados pela sua famosa pelagem branca com pintas pretas, que são sequestrados por uma vilã terrível - Cruella de Vil - com o objetivo de matá-los para fabricar um casaco de luxo. Confesso que não via a animação desde quando a assisti pela primeira vez, provavelmente em 1999, em um relançamento da Abril Vídeo em VHS. Fiquei surpreso com a qualidade visual do desenho, em um período em que os traços das animações da Disney ainda eram absolutamente artesanais e livres da mecanização da computação gráfica, que permitiu o surgimento de desenhos em massa no mercado cinematográfico.
A história de "101 Dálmatas" não é nada mais do que a procura dos filhotes de cachorrinhos pelos seus pais, Pongo e Prenda. Os 99 dálmatas foram mantidos em um cativeiro no subúrbio de Londres, durante um rigoroso inverno, e seus pais precisam criar uma estratégia de comunicação através de latidos para encontrá-los. Os cachorros falam e raciocinam como humanos, de modo que o protagonismo pertence mesmo aos animais. Os seus donos tem um papel secundário e chegam até mesmo a desaparecer durante boa parte da trama. Cruella, por outro lado, está sempre presente, uma vilã macabra como a Disney sabe criar, de aparência repugnante e nenhuma simpatia por animais. Os seus capangas são os responsáveis pelo humor no filme, com um comportamento desajeitado que mais atrapalha do que ajuda na captura dos cãezinhos.
Ambientado em uma Londres muito bonita, como é normal no cinema de verdade ou de animação, "101 Dálmatas" tem uma bela trilha sonora, apesar de pequena, com destaque para "Cruella de Vil", uma canção que se tornou clássica. A fuga dos dálmatas, liderados por seus pais, é como um êxodo canino. A referência bíblica também faz-se notar quando os cachorros são abrigados em um celeiro buscando escapar de seus perseguidores, lembrando o episódio do nascimento de Cristo. Essas singelas passagens são marcas de um cinema de animação que se perdeu no tempo, quando os estúdios preocupavam-se muito mais em fazer um filme de verdade do que em agradar ou acalmar públicos infantis nas salas de cinema pelo mundo afora. Esta versão de 1961, inclusive, ainda é muito pouco assistida, sobretudo com o lançamento de uma versão da história em live action em 1996, que fez muito sucesso. Em 2003 foi lançada uma sequência da história de 1961, novamente em formato de animação. Desde então, a história dos dálmatas ficou reservada ao gosto de espectadores saudosistas, para quem o filme representou um divertido pedaço da infância.



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