Eu, Tonya
"Baseado nas extremamente contraditórias e verdadeiras entrevistas de Tonya Harding e Jeff Gillooly". É assim que começa o filme "Eu, Tonya", que anda fazendo bastante sucesso por conta das indicações que recebeu ao Globo de Ouro. É uma história bastante curiosa, embora totalmente trash, de uma patinadora profissional norte-americana, Tonya, que tem a carreira arruinada por uma atitude irresponsável tomada em conjunto com o namorado. A protagonista é interpretada por Margot Robbie, atriz de apenas 27 anos que também produziu o filme. Margot fez sucesso em "O Lobo de Wall Street", de 2013, e aqui ela está melhor do que nunca. Um verdadeiro talento que dá ao filme um brilho a mais, o que também acontece com a atriz Allison Janney, sua mãe na história. Allison acabou levando o Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante.
O filme é fundamental porque leva ao conhecimento do público do século XXI uma história inacreditável, que eu mesmo sequer sabia que tinha acontecido. Na verdade o tom do filme peca pela descontração, porque se pararmos pra pensar estamos diante de uma história muito triste: uma carreira arruinada pela violência, assédio e irresponsabilidade. Mas ainda assim há diversão na história, justamente pela forma como está sendo contada, pelos próprios envolvidos, em um falso documentário. Como cada personagem tem uma versão para o incidente principal do filme, ficamos a mercê da narrativa que os roteiristas optaram por nos apresentar, que de modo algum pode ser considerada como verdadeira ou definitiva.
As cenas em que Tonya se apresenta nos diversos campeonatos que participa, incluindo os jogos olímpicos, são a cereja do bolo do filme. A câmera ocupa espaços inesperados e temos a sensação de estarmos patinando com a protagonista, algo que a tecnologia não alcançou no esporte de verdade (porque isso certamente atrapalharia as atletas). Ver Tonya patinando é um verdadeiro deleite para os espectadores, ainda mais com a grande atuação de Margot, que tem um trabalho de corpo fantástico. A trilha sonora é outro destaque, com Supertramp, Dire Straits, Cliff Richard e muitos outros... Este não é um filme que vai agradar muita gente, sobretudo pela forma inusitada que conta a história de Tonya, sem apelar para o sentimentalismo das cinebiografias. É uma narrativa excêntrica e necessária para quem se interessa por histórias reais que de tão bizarras só acreditamos vendo.



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