Janela Indiscreta
Este foi o primeiro filme de Alfred Hitchcock que assisti, quando eu estudava na Cultura Inglesa e recebi a indicação de uma professora. Acabei encontrando o DVD em uma locadora, que foi a porta de entrada para quase todos os outros filmes que vi do mestre do suspense. "Janela Indiscreta" não é apenas uma das obras mais importantes de Hitchcock, mas também um dos filmes de suspense mais influentes de seu gênero, que aprendeu muito com as técnicas de filmagem utilizadas nesta produção de 1954.
Gravado nos EUA, "Janela Indiscreta" tem em seu elenco dois grandes atores do cinema mundial: James Stewart e Grace Kelly, atriz que tinha apenas 24 anos na época de lançamento do filme. A obra conta a história de um fotógrafo, Jeff, que quebra sua perna e fica impossibilitado de andar por algumas semanas. O ócio faz com que ele fique cada vez mais interessado em bisbilhotar a vida de seus vizinhos, até que passa a desconfiar que o morador do apartamento em frente a sua casa assassinou a própria esposa. Nem sua enfermeira nem sua namorada dão crédito as suas suspeitas, até que pequenos incidentes fazem, aos poucos, elas mudarem de ideia.
Há uma grande ironia em toda a história, que é o fato do protagonista dar mais atenção às janelas de seus vizinhos do que ao próprio apartamento, onde sua linda namorada, Lisa Fremont, procura a todo momento ser notada, inclusive insistindo na ideia de que o casal deveria ficar junto, enquanto Jeff demonstra pouca segurança no relacionamento, por ser ele um fotógrafo de vida aventureira. Esta brincadeira do roteiro acaba ganhando novas nuances quando observar os vizinhos torna-se uma distração do casal e motivo principal das visitas de Lisa ao apartamento do companheiro. É como se a ausência de atratividade nas conversas da namorada socialite fizesse o voyeurismo de Jeff ganhar ainda mais sentido, porque espiando os vizinhos ele não seria obrigado a aturar Lisa. Parece forte, mas é a verdade.
Se há algo espetacular em "Janela Indiscreta", além do talento de seus atores protagonistas, é a forma como Hitchcock dirigiu o filme. A ambientação da história em um condomínio durante um verão intenso é a principal justificativa para tantas janelas escancaradas. São vários os recursos utilizados para criar no espectador a sensação de calor, como os closes em termômetros, o suor na testa de Jeff, o casal que dorme na varanda e a chuva no fim da tarde. Além disso, a presença constante do protagonista em sua cadeira de rodas, que chega a dormir em frente a janela, mostra a passagem do tempo, marcada não só por relógios, mas também pelo céu que escurece, pelos vizinhos que jantam, dormem e ainda pelo movimento do pub do outro lado da rua, que fica cheio durante as noites. É como se cada cena oferecesse ao espectador um universo de situações para ele próprio observar e tirar as suas conclusões. Somos cúmplices de Jeff, mas não vemos exatamente as mesmas coisas que ele. Há uma passagem importante na história que somente o espectador testemunha, uma vez que Jeff acaba cochilando. Isso é algo absolutamente fantástico no cinema de suspense, uma característica marcante da filmografia de Hitchcock, muito reproduzida até hoje.
Assistir a um filme como "Janela Indiscreta" é uma experiência muito diferente para quem se acostumou com o cinema do século XXI. Isto porque estamos diante de um filme da década de 50, quando os cortes, o uso da trilha sonora e o próprio desenvolvimento das tramas tinham uma dinâmica muito distinta das técnicas atuais. Impressionam, no entanto, os longos planos sequência que "passeiam" pelas janelas do condomínio, cada uma delas com um núcleo diferente de atores, todos trabalhando simultaneamente, o que deve ter dado um imenso trabalho de filmagem. Outro fator incrível no filme é o uso da luz dentro do apartamento de Jeff, principalmente na sequência final, um momento sublime na história do cinema. Por todas as qualidades e pela temática atraente, "Janela Indiscreta" foi um sucesso de público e até hoje é reconhecido como um dos filmes mais importantes de todos os tempos. É uma obra que trata do ócio, da curiosidade mórbida do ser humano, mas também do preço que pagamos pela não-omissão quando acreditamos que algo não vai bem em nossa vizinhança.
Se há algo espetacular em "Janela Indiscreta", além do talento de seus atores protagonistas, é a forma como Hitchcock dirigiu o filme. A ambientação da história em um condomínio durante um verão intenso é a principal justificativa para tantas janelas escancaradas. São vários os recursos utilizados para criar no espectador a sensação de calor, como os closes em termômetros, o suor na testa de Jeff, o casal que dorme na varanda e a chuva no fim da tarde. Além disso, a presença constante do protagonista em sua cadeira de rodas, que chega a dormir em frente a janela, mostra a passagem do tempo, marcada não só por relógios, mas também pelo céu que escurece, pelos vizinhos que jantam, dormem e ainda pelo movimento do pub do outro lado da rua, que fica cheio durante as noites. É como se cada cena oferecesse ao espectador um universo de situações para ele próprio observar e tirar as suas conclusões. Somos cúmplices de Jeff, mas não vemos exatamente as mesmas coisas que ele. Há uma passagem importante na história que somente o espectador testemunha, uma vez que Jeff acaba cochilando. Isso é algo absolutamente fantástico no cinema de suspense, uma característica marcante da filmografia de Hitchcock, muito reproduzida até hoje.
Assistir a um filme como "Janela Indiscreta" é uma experiência muito diferente para quem se acostumou com o cinema do século XXI. Isto porque estamos diante de um filme da década de 50, quando os cortes, o uso da trilha sonora e o próprio desenvolvimento das tramas tinham uma dinâmica muito distinta das técnicas atuais. Impressionam, no entanto, os longos planos sequência que "passeiam" pelas janelas do condomínio, cada uma delas com um núcleo diferente de atores, todos trabalhando simultaneamente, o que deve ter dado um imenso trabalho de filmagem. Outro fator incrível no filme é o uso da luz dentro do apartamento de Jeff, principalmente na sequência final, um momento sublime na história do cinema. Por todas as qualidades e pela temática atraente, "Janela Indiscreta" foi um sucesso de público e até hoje é reconhecido como um dos filmes mais importantes de todos os tempos. É uma obra que trata do ócio, da curiosidade mórbida do ser humano, mas também do preço que pagamos pela não-omissão quando acreditamos que algo não vai bem em nossa vizinhança.



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