Lady Bird
Este simpático filme do ano passado é a estreia na direção de Greta Gerwig, atriz cujo trabalho mais famoso é "Frances Ha", um filme muito interessante de 2012, que ela co-escreveu o roteiro. "Lady Bird" trata de problemas típicos dos adolescentes norte-americanos quase migrando para a fase adulta, a exemplo de "A Lula e a Baleia" (2005), "Juno" (2007) e "Submarine" (2010). Apesar do tema, agrada também aos adultos, porque há muitas situações cômicas que envolvem pais, professores e todas as outras pessoas relacionadas ao universo jovem, período de descobertas e muitas frustrações.
A história se passa no ano 2000, em Sacramento, capital do estado da Califórnia, cidade que possui pouco menos que meio milhão de habitantes. Não é uma metrópole e muito menos um local cosmopolita, mas sim uma cidade relativamente populosa, onde mora Christine, a protagonista da história, interpretada por Saoirse Ronan, atriz de 23 anos e muito talento, que atuou em filmes importantes, dentre eles o cult "Um Olhar do Paraíso". Christine chama a si mesma de Lady Bird, e assim é respeitada e chamada pelos colegas, no novo colégio cristão em que é obrigada a estudar, por conta da violência na escola pública em que frequentava anteriormente.
Lady Bird, tão logo chega na nova escola, faz novos amigos e entra no grupo de teatro do colégio. A partir daí, acompanhamos os seus dramas, típicos de uma adolescente da sua idade. Chama a atenção no roteiro que a protagonista não faz parte do grupo de jovens que vivem o "sonho americano". Pelo contrário, a família de Lady Bird passa por dificuldades financeiras e há uma grande e crescente tensão no relacionamento entre a protagonista e sua mãe. uma mulher dedicada, porém imatura, que tem muitas dificuldades para relacionar-se com sua filha.
Esta relação entre mãe e filha, inclusive, é o que conduz a história, porque as duas brigam a todo momento, o que altera muito o comportamento emocional da protagonista. Ela se apaixona por um rapaz (Lucas Hedges) e depois acaba se decepcionando por ele, em uma sequência a princípio engraçada, que vai culminar em uma cena emocionante nos fundos do café onde trabalha. Na escola, Lady Bird tem como melhor amiga uma jovem que nutre um amor platônico pelo professor de matemática, matéria que ela vai muito bem, ao contrário de Christine, que vai de mal a pior no colégio. O mau rendimento na escola, inclusive, acaba atrapalhando a protagonista a conseguir uma vaga na faculdade, por causa de seu currículo, o que lhe rende mais algumas frustrações em sua passagem para a vida adulta.
Este é um filme sobre a descoberta das responsabilidades, o fim do ensino médio e a necessidade de encarar a ruptura entre dois momentos muitos distintos na fase de qualquer adolescente, seja norte-americano ou não, pois apesar de algumas pequenas diferenças este drama é compartilhado por jovens do mundo inteiro. "Lady Bird" não é a história da vida glamourosa de uma adolescente da Califórnia, mas sim a narrativa de uma família norte-americana que sofreu com a crise econômica do país, que ficou sem emprego e precisou quitar a casa para pagar os estudos dos filhos. É a história do aluno formado em Berkeley que foi trabalhar como caixa no supermercado e que mais tarde disputou com o próprio pai uma vaga de emprego. No caminho de "Boyhood", de Richard Linklater, ou do próprio "Frances Ha", este filme entra em uma pequena lista de obras que se propuseram a contar uma história sem a máscara do civilismo vazio da "terra de oportunidades". "Lady Bird" está indicado ao Globo de Ouro como melhor filme na categoria comédia/musical. Eu recomendo.



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