O Artista do Desastre
Poucas vezes na vida temos a oportunidade de assistir a um filme tão honestamente divertido e bem feito como "O Artista do Desastre", de 2017, dirigido por James Franco. Trata-se da história de Tommy Wiseau, interpretado por Franco, um sujeito extravagante que, diante dos insucessos na carreira de ator, decide fazer o próprio filme. Acontece que sua obra ganha a reputação de o pior filme já feito na história do cinema. Por mais incrível que pareça, o caso é real e foi inspirado em um livro homônimo, adaptado aos cinemas e dirigido com sensibilidade e maestria por um jovem cineasta que, aos poucos, tem mostrado que é maior do que muita gente pensava.
O protagonista, Tommy, viaja com o recém-conhecido amigo Greg para Los Angeles, onde dividem um apartamento. Ambos querem ser atores profissionais, mas são péssimos. Greg ainda tem a vantagem de ser um jovem bonito, ao contrário do colega excêntrico, que possui um sotaque estranho, longos cabelos e uma personalidade extravagante. A amizade entre os dois é uma das coisas mais interessantes do filme, porque realmente consegue ser muito sincera e ingênua, principalmente porque Tommy aparenta pela primeira vez ter recebido a atenção e o crédito de alguém. E Greg faz isso de forma muito espontânea, encantado com o espírito livre e a autoconfiança do novo colega.
Em Los Angeles, Greg logo percebe que o amigo é mais estranho do que parece. A cena em que Tommy dança "The Rhythm of the Night" em uma boate é, além de hilária, um dos momentos em que podemos constatar a sua irreverência e loucura. Além disso, o cabeludo que usa óculos escuros até dentro de casa é possessivo e de humor instável. Mas há algo que une os dois amigos, que é justamente o seu insucesso como artistas. A situação muda de figura quando Tommy, que inexplicavelmente tem muito dinheiro, é estimulado por Greg a produzir o seu próprio filme. Ele gosta da ideia e escreve, com muito esforço, um roteiro para um longa metragem chamado "The Room".
Aproveitando o dinheiro em abundância, Tommy contrata uma grande equipe de filmagem, escala atores e atrizes e inicia as filmagens do seu primeiro filme. É aí que a história alcança os seus melhores e mais divertidos momentos. Aos poucos, a equipe de filmagem percebe que não existe nenhuma coerência no roteiro do longa. Além disso, Tommy acaba se revelando um diretor autoritário, incoerente, além de um ator problemático, que não consegue decorar suas falas. A relação entre os atores e demais membros da equipe com o diretor é extremamente conflituosa, até mesmo com Greg que, se a princípio age como um mediador, depois acaba perdendo também a paciência com o amigo.
O filme é então produzido, aos trancos e barrancos, e finalmente acompanhamos os eventos que vão culminar em uma inesperada première em Los Angeles. Não há como negar o talento de James Franco no filme. A sua atuação é inesquecível e dá vida a um personagem tão interessante como Tommy Wiseau. Somos realmente conquistados por ele e passamos a ter uma empatia enorme pela sua ingenuidade, que justifica até mesmo os seus métodos heterodoxos de direção. É como se toda a história fosse na realidade a realização do sonho de uma criança rica. Um sonho que, aliás, acaba por se realizar, mesmo que em circunstâncias diferentes do que Tommy esperava. Os acontecimentos verdadeiros que motivaram a produção do filme são elementos que fortalecem muito o roteiro de "O Artista do Desastre", mas não podemos negar que o talento de James Franco na direção e interpretação são matérias primas essenciais para este que está entre os melhores e mais divertidos filmes já lançados em muitos e muitos anos. Uma comédia impecável.



Comentários
Postar um comentário